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Onde cada um de nós está?


26 de fevereiro de 2014 às 21:47

Como podemos permitir que nossos filhos continuem assistindo a TV e frequentando a escola?

Como podemos nos permitir continuar o caminho ignorando o que está a nossa volta quando já sabemos quanta coisa nos desvia de onde queremos estar?

Depois de aprender a escrever, ler e interpretar o que se leu. Saber os cálculos básicos da matemática. Existe um mundo inteiro para se aprender. O velho, o atual e o novo que virá.

Numa escala atualizada de prioridades provavelmente nada que está no atual currículo nos servirá durante o período de vida que as escolas nos ocupam.

São distrações perigosas que tomam um precioso espaço em nossa mente, em nosso coração. Deixam de lado valores básicos de vida para manterem o foco na sobrevivência.

E o pior de tudo é que de tão acostumados que estamos em apenas sobreviver, tentamos ignorar o que está acontecendo dentro de nosso lar, mas principalmente, fora dele.

A fome, a poluição, a concorrência, a competição, a corrupção, horrores mil visíveis a olho nu.

Que dirá os mais ocultos nas indústrias farmacêuticas, alimentícias e da "educação".

Abaixo temos um bom exemplo, apenas um, dos milhares que não conseguimos não ver, mas tentamos não sentir. Tentamos nos convencer de que "a vida é assim mesmo". Mesmo já sabendo que a vida é apenas o que fazemos dela, enquanto temos força e saúde para isso.

é isso!

TODO FILHO É PAI DA MORTE DE SEU PAI

" Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.
É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.


É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai da morte de seu pai.


Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.


Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.


No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:e
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!



O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali. "
Fabrício Carpinejar

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