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Matematicamente orgânico




Percebo que o termo orgânico vem se popularizando, provavelmente por conta de uma preocupação mundial em relação à qualidade dos alimentos. Mesmo os que já fogem dos produtos industrializados tropeçam em frutas, verduras e legumes recheados de agrotóxicos. Então muito se discute a este respeito atualmente.

Com o termo na cabeça e minha angústia para manter a disciplina e organização do GTD em dia, tive um estalo “prefiro uma rotina mais orgânica”. Calma, eu explico. Alías, muita calma porque a explicação ficou bem longa :-D

Matemática e cientificamente falando, diríamos que a menor distância entre dois pontos é uma reta. E não faltam críticos aos novos modelos de pensamento científico que alegam sua fragilidade de argumentação e provas um tanto questionáveis. Mas vamos combinar que em tempos de internet e Física Quântica essa argumentação fica, no mínimo, como apenas a opinião dos céticos. Concordam?


Tudo isso acontecendo simultaneamente.

Enquanto um editor tece críticas convictas a PNL,





um cientista de renome tenta explicar o quanto os cientistas descobriram que não sabem explicar as provas que obtiveram com a física quântica,



um professor estudioso corre mundo e realiza congressos sobre saúde quântica,



uma estudiosa melhora a qualidade de vida de milhares de pessoas via meditação,




uma doutora salva milhares de olhos da escravidão dos óculos



um doutor desbanca a maioria dos doutores



e um empresário que atingiu o sucesso empresarial aos vinte e poucos anos constrói a semente de uma educação para os líderes de amanhã.





Isso sem contar com uma nova economia movida a toque de Fórmula de lançamento e milhares de semi anônimos fabricam seu sustento via Google Adsense nos blog e vídeos no YouTube.





Quando me deparo com algumas regras mais rígidas que ditam como "melhores práticas" a definição de horários para a realização das tarefas ou planejamentos que, se executados conforme o planejado, proporcionam "maiores chances" de sucesso eu apenas paro diante delas e olho para minha realidade cotidiana. Onde não existe absolutamente nenhuma rotina além das impostas pela escola das crianças (com horários de entrada e saída) ou pelos poucos compromissos com data e hora impostos pela empresa (encontros on-line ou presenciais).


Tudo matematicamente orgânico e completamente sem base na ciência tradicional.


Existe um cenário propício para esta prática, visto que trabalho em home office, sou mãe de 4, já tenho 50 anos, passo o dia lendo só notícia boa pela internet (há mais de 20 anos), me informando dos avanços científicos e experimentando as novas teorias na prática cotidiana. Mas a mais pura verdade é que praticamente tudo acontece no modo orgânico em mim e a minha volta, matematicamente orgânico. Até as poucas doenças que tentam se infiltrar na família (em torno de uma vez por ano) acabam sufocadas por beijinhos, muitas horas de sono e até algumas guloseimas ou passeios extras. Nada de remédios de farmácia. O único doutor que visitamos é o dentista, de vez em quando.

Dormimos quando o sono chega, tomamos banho quando o cheirinho mau aparece, comemos quando o estômago pede, brincamos de trabalhar e trabalhamos por prazer mas paramos tudo para ajudar alguém em apuros.

O primeiro dinheiro extra que veio da empresa investimos num pula pula de 3mts de diâmetro e da última vez que fomos tentar comprar uma TV voltamos de lá com uma piscina plástica e outros brinquedos. Já passamos anos sem uma TV e nas poucas vezes que ela teve espaço na sala o que mais mostrou foram os programas da TV Cultura.

Ninguém tem que comer isso ou aquilo, apenas oferecemos uma diversidade de alimentos considerando suas cores e tentando repetir o mesmo alimento o mínimo possível. Sem proibições do tipo nada de coca cola ou bolachas, apenas desincentivamos o consumo disso disponibilizando o máximo de outras opções mais saudáveis e comentamos sobre a questão constantemente.

Não é preciso muita argumentação, basta conviver com outras pessoas e comparar os resultados na saúde, disposição e bem estar. As próprias crianças comentam entre si e se retroalimentam para manutenção do que está funcionando bem.

A manutenção da organização e limpeza da casa é uma aventura à parte. Somos em cinco. Dois adultos e 3 crianças. Ninguém “tem que” coisa nenhuma, apenas são orientados a prestar atenção nos resultados/consequências de tudo. Tipo: não lava louça na hora, gasta mais tempo desgrudando a comida que colou, não controla a roupa limpa vai acabar precisando lavar o tênis que ficou com chulé por ter usado a mesma meia ou ter que usar aquela calça que não gosta porque as maravilhosas estão todas lavando. Aliás neste quesito o que funciona melhor é ficar com fome, esperando a comida ficar pronta depois de perder um tempo enorme lavando a louça que estava suja. Rapidinho elas aprenderam descascar cebola, alho ou batatas. Qualquer coisa para agilizar a refeição no prato.

Deste cenário para o de se interessarem em fazer a própria comida ou consumir frutas e sucos naturais foi um pulo. Além de já serem independentes para fazer os sucos de cenoura, beterraba, limão e tantos outros, já sabem fazer pão frito, panqueca, tapioca, gemada, pipoca, para citar alguns, cada dia a lista aumenta. Elas têm hoje 8, 10 e 12 anos.

Elas chegam a "arrepiar" umas com as outras na hora de dividir o couve-flor, o brócolis, o alho frito ou a salada temperada com azeite, limão e alho cru, a maçã, o abacaxi e várias outras frutas. Mas se querem comer só arroz pode, se querem comer o doce antes do salgado também pode. Só não pode avançar na parte do outro. Tudo é dividido entre os presentes. Quem não quer doa a sua parte para os que querem ou gostam mais.

Esta é a mesma receita que usei com meu filho mais velho e funcionou. Mas quando ele veio passar uma semana inteira com a gente (ele foi fazer faculdade em outro estado e já estava há mais de 2 anos longe) ficou intrigado com o sistema e me questionou.

Pode comer só carne?


Pode, desde que coma só a parte que te cabe e não reclame que depois vai matar a fome com o restante da comida, sem carne ou qualquer outro item que pareceu mais apetitoso a princípio.


Mas neste esquema de liberdade total as meninas deveriam estar desnutridas ou obesas. Elas parecem tão saudáveis e dispostas. Isso não faz sentido. Como consegue isso?

Esse questionamento me fez pensar... será que elas vivem de amor? Percebi que o orçamento justo somado às escolhas que fazíamos do que comprar (diversidade de cores e sabores), proporcionava uma variação grande de nutrientes sem um volume exagerado de nada. Possivelmente tenha sido o segredo.

O mesmo questionamento me fiz quando minhas filhas choravam para ir a escola. Eu não conseguia compreender como as filhas desta mãe, que só manda as crianças para a escola porque a lei obriga, poderiam gostar tanto de um ambiente tão cheio de regras e obrigações. Cheguei à conclusão de que o ambiente não as intimidava porque percebiam sua finitude, pelo amor próprio e confiança que tinham em si mesmas, pela certeza de que o mundo podia ser muito diferente daquilo em outros lugares e pela oportunidade que tinham em fazer novos amigos. Alguns inclusive para conviverem em casa depois, onde as regras eram bem diferentes.

Minha vida nunca foi do tipo “normal”. A família que construí não é diferente disso.

Uma professora, casada com um peão, que fizeram 3 filhas maravilhosas com as quais aprendemos diariamente. Eu acredito que a escola só fala bobagens e minhas filhas amam ir para a escola. Decidimos tudo juntos, inclusive quanto gastar, no que, o que comprar para as refeições, a posição dos móveis, a programação do domingo…


Eu incentivo as meninas a aprenderem tudo o que puderem para serem independentes.

Podem preferir fazer algo com o pai, a mãe ou qualquer outra pessoa, mas não depender dela para. Desde vestir-se, arrumar o armário, cozinhar, lavar a própria roupa, ir para a escola, construir os próprios brinquedos, amar e divertir-se.

As vezes é bem complicado administrar uma família de 5 onde ninguém “tem que nada”, mas no geral os resultados são maravilhosos e é muito emocionante ver como tudo se resolve, todos se ajudam, apoiam e acabam dando cobertura uns para os outros.

Vemos os milagres acontecendo diariamente e já não conseguimos mais duvidar que eles existem.


Depois de um primeiro casamento com direito a véu e grinalda na Igreja Nossa Senhora do Brasil (uma das mais famosas de São Paulo). Daqueles do tipo "perfeito" que não deu certo, com exceção do filho maravilhoso que me proporcionou, recomecei.

De lá para cá não fiz outra coisa além de recomeçar várias e várias vezes. Estou numa relação estável há uns 14 anos e convivemos 24 horas por dia (eu e meu marido) durante todo este tempo e nem nos matamos ainda (meio utópico isso não? mas é a mais pura verdade). Damos beijos, dormimos de conchinha e transamos quase todos os dias (detalhe: ele é 18 anos mais novo que eu).

Meu filho e minhas filhas sempre são surpreendidos quando os tratam como crianças (inocentes, bolinhas, ignorantes ou incapazes de solucionar problemas e dar sugestões), mas parecem entender as diferenças e aceitam se comportar adequadamente ao ambiente. São irreconhecíveis fora de casa ou na presença de “estranhos”. Num primeiro momento ficam tímidos, quietos e excepcionalmente comportados.

Aprenderam a questionar tudo e buscar entender o porque das coisas, apesar do trabalhão que isso dá para os pais. Puderam viver experiências rurais que os incentivaram a adorar a natureza, os animais, as mudanças (típicas a vida) e sentem falta dela quando “encalhamos” muito tempo numa coisa só. Me ensinam mais do que aprendem comigo.

Costumo dizer que minha vida é recheada de verdades tão cabeludas que uma mentira mal contada convenceria mais.


Não sei mentir, detesto disputas, amo desafios e acredito em física quântica. Nasci no meio da festa de aniversário da minha avó. Repeti o primeiro ano primário para não mudar de professora (ela era minha prima). Comecei a trabalhar fora aos 16, mesmo sendo filha de comerciantes. Fiz meu primeiro aborto aos 17 e meio, comemorei os 18 anos no motel. Sempre fui fiel com cada um que me relacionei (foram muitos, perdi a conta). Me inscrevi para faculdade de propaganda e acabei matriculada (e me formei) na licenciatura em artes. Comprei minha primeira moto com meu próprio salário (administrado por meu primeiro namorado). Cancelei um casamento depois dos convites já impressos. Casei com o primeiro marido porque a família dele não estava administrando ele dormir na minha casa sendo só meu namorado. Tive meu primeiro filho porque comecei a ter pesadelos com bebês. Amei todas as minhas fases de grávida, apesar de ter jurado que não teria mais filhos depois do primeiro parto normal (todos foram partos normais).

Sempre troquei de emprego por um que pagasse mais, fosse mais perto da minha casa ou ficasse no contra fluxo do trânsito de São Paulo. Na maior parte do tempo motivada por novos desafios, não fazia a menor diferença qual era o cargo. Cheguei a pedir a conta várias vezes apenas porque não me mudavam de função e eu já estava entediada.

Só sosseguei em computação porque ela não para nunca de ser diferente e desafiadora. Aliás, comecei em computação numa multinacional, para uma vaga de operadora de textos com 5 anos de experiência e eu não sabia nem ligar um pc. Virei estudo de caso na Sabesp (fiquei sabendo por um primo que trabalhava lá) por conta deste exemplo de auto superação.

Depois que meu primeiro filho (nascido em 1991) fez 3 anos comecei a trabalhar fora das empresas (com poucas exceções) e nunca mais quiz ficar longe das crianças. Todas as experiências que vivi como professora de artes (e outras matérias) em escolas particulares, municipais ou estaduais nos estados de São Paulo e Bahia, me conduziram a crer que é um sistema completamente falido e o pior lugar onde as crianças poderiam estar (exceto aquelas que são maltratadas pelos próprios pais/parentes).

Mudei de estado 5 vezes, isso me deu a certeza de que o mundo é grande e maravilhoso demais para ficarmos parados num canto só a vida inteira. Mesmo considerando ficar sem dinheiro, sem comida, sem água e até sem esperança em muitos momentos.

Depois de experimentar a vida na floresta por 2 anos consecutivos descobri quem eram os ricos e quem eram os pobres de verdade. Em São Paulo onde nasci, cresci, estudei, casei e divorciei, me sentia o centro do universo "vida boa é em São Paulo". Mas quando vi a água mais pura que existe, saindo direto da nascente e escorrendo incessante e livremente para a terra novamente e um monte de frutas, verduras e legumes jogados no chão para os animais, foi que eu percebi o que é ser rico de verdade.

Também comecei a desconsiderar a possibilidade de criar filhos em qualquer capital ou grande centro. Esta foi uma escolha que cobrou muitos dividendos para uma profissional de tecnologia e internet. Foram longos anos trabalhando na profissão mais bem paga do momento em ambiente corporativo e recebendo uns trocos pela facilidade que demonstrava ao "brincar com os computadores o dia todo".

Cheguei a fazer Enen em 2009 (aos 44 anos) e mudar com a família inteira para outro estado para cursar uma Federal em Tecnologias da Informação e Comunicação para garantir algum salário público e estável atuando em alguma universidade do interior.

Quando me vejo hoje, realizando cada um de meus sonhos, trabalhando com qualidade de vida usando computação e internet, de dentro de casa… Nem sei o que dizer tamanha a gratidão.

Nem me admiro mais em ver quão produtiva consigo ser em relação a tantas outros profissionais divididos entre poluição, trânsito, noites mal dormidas, remédios, convenções sociais, estresse, desvalorização, medo e tudo mais que a maioria de nós já conhece.


Esse meu jeito matematicamente orgânico de funcionar parece aproveitar o melhor de cada momento.

Parece permanecer mais em sintonia com o que me cerca e colaborar para a realização de tudo que me proponho.

Claro que a meditação está colaborando e o GTD tornou-se indispensável para manter isso tudo, se não sob controle, pelo menos ao alcance dos olhos. Mas dizer que me obrigar a realizar as coisas nos momentos que eu defini antecipadamente pode ser mais produtivo, não dá. Eu tentei, mais de uma vez. Tenho tentado das mais diversas maneiras nos últimos 4 anos.

Quanto mais estudo, aprendo ou recebo orientação de outras pessoas experientes em GTD, melhor meu sistema fica. Mais consciente eu me torno dos gargalos e das melhores práticas para minha "rotina". Mas pode ser que eu jamais tenha uma de verdade.

Para encerrar com chave de ouro, fica a reflexão seguinte:



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